Apesar das folhas que se inclinam e caem após o vento ter as beijado, estarem jogadas no chão, nota-se ainda o verde do solo que se deixa ser deitado por restos do outono. É que os dias passam dançando pelos bosques e quando passam, assemelham-se a noivas cobertas por leves tecidos brancos de tom perolado ao som de uma valsa muda, e os seus aromas nos fazem retroceder até os dias que restavam os últimos vestígios de cor. Quando passam por nós, os segundos viram passado e o passado logo vira lembrança, a sensação que nos traz é de que os segundos já se foram faz anos, e os meses a séculos.
Tudo está contido nos dias que correm despercebidos, piscar é um erro diante da situação do tempo. Recordar-se de certa forma é ''perda'' de tempo, é a perda do tempo que não vimos declinar. Que o recuperemos nas memórias, as únicas que nos restam quando as pessoas se vão. _Larissa Veiga


